Bem, resolvi inaugurar uma nova “sessão” no Blog, dedicada às minhas releituras de obras famosas de quadrinhos, heroísticos ou não.
A idéia é tentar avaliar se a revista continua sendo tão boa quanto “na época”, isto é, se resistiu bem – ou não - à ação do tempo e da próprio evolução do “meio quadrinhos”.
Para inaugurar, selecionei esta história do Batman, enquanto vasculhava minha coleção de revistas nacionais (que fica na casa da minha mãe e, portanto, vejo pouco…) publicada no Brasil pela Editora Abril há exatos 20 anos, em uma edição encadernada, reunindo as 4 edições das revistas originais (Batman 417-420). Lembro ainda que foi uma novidade ver uma só história saindo em uma edição volumosa, formato americano e com lombada quadrada.
A História:
A pequena saga, intitulada “As Dez Noites da Besta” foi escrita pelo renomado Jim Starlim e desenhada por Jim Aparo, um dos mais prolíficos artistas do morcego, sendo esta uma de suas últimas colaborações. Não é uma história tida como “clássica” por todos os fãs do personagem ou da DC Comics, mas no geral é citada como referência de boa história e até de bom vilão.
O inimigo é um gigantesco agente da antiga URSS (União Soviética, vocês sabem né? Um dia foi muito importante…) cujo apelido é KGBesta (a KGB era a polícia secreta da URSS) e aqui foi sua primeira aparição. Mestre em várias formas de arte marcial e de armamentos, ele também tinha implantes cibernéticos que aprimoravam sua força e resistência.
A história é simples e bastante linear: com a dissolução da URSS, o KGBesta e outro agente são enviados aos EUA para tentar sabotar o mundialmente famoso “Projeto Guerra nas Estrelas”, e passam a matar todos os cientistas e autoridades envolvidas. A trilha dos bandidos chega a Gotham City e, com sucesso, eles vão eliminando todos os alvos. O último é o ex-Presidente Ronald Reagan. Batman e o Comissário Gordon se unem ao FBI e à CIA para tentar deter os vilões.
Veredicto: Foi bom de novo?
Sendo bem honesto, não tinha uma memória clara desta aventura; só tinha certeza de que tinha sido ”bacana”. Reli duas vezes em alguns dias, tentando analisar o roteiro, os padrões dos diálogos, nuances escondidas… e realmente é um pouco decepcionante, porque é tudo muito simples, com vários clichês. O roteiro caminha sem momentos inspirados, as falas parecem escritas no piloto automático, muito diferente de outros trabalhos do Jim Starlim.
O que é bacana mesmo é o KGBesta, que foi um vilão inovador para a – então – requentada e tradicional galeria do Batman: superviolento e totalmente letal, mata sem o menor pudor centenas de pessoas ao longo da saga; não abria a boca para nada irônico e sua máscara, associada ao seu tamanho descomunal (para um ser humano) dava um aspecto aterrorizante.
As batalhas também são legais: há muitos confrontos, o Batman é ferido diversas vezes e precisa usar muita força e técnica para nivelar com o adversário.
Já a arte não é muito atraente, mesmo para a época. O desenhista tinha uma visão ainda light do personagem, e não havia em seu estilo técnicas de narrativa mais modernas e cinematográficas, apesar de algum esforço nesse sentido. Jim Aparo fez trabalhos bem melhores do que este.
Enfim, apesar de distante do perfil de um “clássico” das HQs, é uma história relativamente agradável do Batman; vai depender do quanto o leitor goste de batalhas mais “pé-no-chão” e menos investigação ou planejamento.
Eu realmente ainda acho preferível ler uma história do morcego em que ele é ferido, erra em alguns momentos, se supera e sai por bem no final do que o Batman “super-mega-ultra-herói” de histórias em que enfrenta e elimina supervilões peso-pesado, ou elabora e executa planos mirabolantes a nível global.
Quanto mais humano e “limitado”, inteligente e persistente for o morcegão, mais estimulante ele se torna para mim. Logo, gostei como passatempo, pelas lutas e pelo novo vilão.
Nota: 3,0 de 5,0.
2 Comentários
Junho 7, 2009 às 11:01 pm
Olá, estava procurando matérias sobre o Batman e cheguei ao seu blog. Muito, parabéns.
Concordo com você em 99% dos comentários.
A violência é datada – hoje qualquer HQ do Batman é infinitamente mais sangrenta – e a arte de Jim Aparo já viu dias melhores.
Mas tenho que discordar de uma coisa que você diz: mesmo não sendo nenhum clássico VOCÊ ESQUECEU um detalhe que é muito importante na cronologia do morcego. É a primeira vez que ele mata alguém no universo Pós-Crise. Afinal deixa-lo naquele lugar foi uma forma de matar e você esqueceu que Batman não mata.
Só esse toque , parabén s, abs
Junho 27, 2009 às 2:39 am
Puxa vida, é verdade Anderson!
Você está absolutamente certo sobre essa “1ª vez” do morcego. Legal que tenha gostado do review.
Abração e comente sempre!