Agosto 3, 2008

My “Pull List”: o que estou importando dos EUA

Há muitos e muitos anos adquiri o hábito de ler revistas em quadrinhos em Inglês, isto é, as edições originais norte-americanas, especificamente de super-heróis da Marvel.

Acho que a primeira edição que comprei foi uma Uncanny X-Men, ainda do Chris Claremont, em meados da década de 80, em uma livraria lá em São José dos Campos (SP).

Nunca parei, apesar de ter “dado uns tempos” na época em que o dólar tinha disparado para mais de R$ 2,00 lá pelo ano 2000.

Atualmente, compro de uma Comic Shop aqui em São Paulo alguns títulos da Marvel Comics e, eventualmente, de outras editoras também.

Os americanos que lêem regularmente comic books têm o hábito de visitar uma vez por semana a sua loja de quadrinhos, onde retiram suas “encomendas” – uma espécie de assinatura feita com o lojista, não com a editora. Atualmente, a quarta-feira é o dia da semana em que as revistas-lançamento ficam à disposição dos clientes. Assim, a maioria do pessoal costuma dar uma passadinha nas lojas entre quarta e quinta mesmo, para ler e ficar in do que tá rolando (e depois visitar a internet pra debater sobre as histórias nos fóruns específicos). Esse sistema foi traduzido aqui para o Brasil como “reserva”, mas devido à distância, as revistas costumam chegar em lotes mensais, e não semanais.

Os leitores de lá também deram um nome para sua “lista de compras” de quadrinhos, isto é, quais títulos eles resolvem pegar – uma decisão meio que tomada com antecedência, motivada pelos artistas envolvidos, pelo personagem, pela temática da revista, etc. Tudo isso é divulgado meses antes da revista ser impressa e distribuída. Essa lista pessoal de cada leitor é chamada de “my pull list“. E a graça é divulgar cada pull list também nos fóruns e blogs e sites dedicados ao mercado, dando ênfase sobretudo ao “que entra” e ao “que sai” de cada relação.

Bem, meu último lote de reservas chegou há algumas semanas, e lá fui eu retirar minhas adoráveis revistinhas Marvel.

Esta é a atual Pull List do Jorge:

. New Avengers (mensal, dos Novos Vingadores)
. Avengers: The Initiative (mensal, aborda as diversas equipes de Vingadores do Programa Iniciativa)
. Iron Fist (mensal, do Punho de Ferro)
. Guardians of the Galaxy (mensal, nova, sobre os novos Guardiões da Galáxia)
. Captain Britain and the MI13 (mensal, nova, com o Capitão Britânia e outros heróis europeus)
. Marvel Comics Presents (mensal, contém 4 mini-histórias em cada edição de personagens diferenciados)
. The Eternals (mensal, nova, continuando a saga dos Eternos)
. The Twelve (mini-série, sobre 12 heróis perdidos da II Guerra Mundial reencontrados no presente)
. Secret Invasion (mini-série, é o carro-chefe do ano da Marvel, a “Invasão Secreta” dos aliens Skrulls)
. Secret Invasion – Who Do You Trust? (Edição especial, com vários personagens diferentes enfrentando Skrulls)
. Official Handbook of the Marvel Universe (mini especial, uma espécie de Enciclopédia dos personagens)
. Mythos: Captain America (Edição especial, quase uma Graphic Novel, apresenta uma versão atualizada da origem do Capitão América)

Depois comento como foi ler cada um desses títulos.

Até mais.

Julho 31, 2008

Edgard Scandurra e sua paixão por HQ

Além de aficcionado por histórias em quadrinhos, tenho também alguns outros interesses “artísticos”. Entre eles, um de destaque desde a adolescência é rock e, dentro dessa imensidão sonora, um dos gêneros favoritos é o rock nacional dos anos 80.

Edgard Scandurra é um dos maiores nomes do rock brasileiro, líder e principal compositor da banda paulistana Ira!, ele também gravou álbuns solo, sendo o primeiro chamado “Amigos Invisíveis”, de 1989.

Repleto de composições bem diversificadas, desde instrumentais, outras bem rockers, algumas ligeiramente mais pop, o álbum traz o guitarrista em momentos intimistas, onde ele expõe várias de suas paixões.

E Histórias em Quadrinhos, ou melhor, “Banda Desenhada”, ou simplesmente “BD” – como são conhecidas em Portugal, é uma dessas paixões do músico. Ele compôs, cantou e tocou todos os instrumentos da canção “Amor em BD”, a segunda faixa do disco (isso já foi importante!), uma pérola dos anos 80 que pouca gente conhece! Confiram a letra e vejam quem o Scandurra exalta na música:

AMOR EM B.D.
(Edgard Scandurra)

 

ADÉLE
PAULETTE
BRANCA-FLOR
SHEMER
VALENTINA
JUSTINE
BARBARELLA
TERNA-VIOLETA

SHEENA DAS SELVAS
LINDA ADORA ARTE

RAIOS!

 

Nosso caso de amor
Nosso louco, doentio caso de amor

Todo o dia, um tormento

Toda a noite uma despedida
Nosso louco caso de amor

Doentio caso de amor

Como um Blues que não se acaba

Dentro do meu pensamento

 

ADÉLE
JUSTINE
VAMPIRELLA
EMANUELLE

 

Você me toca, me toca o coração!
Nosso louco caso de amor… doentio

Ô Droga!

 

Pois é: só mulheres!
E algumas das maiores musas de todos os tempos. Provavelmente Barbarella, Vampirella, Sheena das Selvas e Valentina são as mais conhecidas aqui no Brasil…

Scandurra chega a dedicar o álbum para “os mestres da BD européia”, criadores da maioria dessas personagens que aparecem na canção. Por falar nisso, quem não lê quadrinhos europeus não sabe a delícia que está perdendo. Claro que passa longe do super-herói, mas é uma produção muito sofisticada, elegante e às vezes anárquica! Atualmente há vários lançamentos desse gênero aqui no Brasil, vale a pena arriscar uns volumes…

Recomendo a todos os curiosos a procurar e ouvir “Amor em BD”! Ela é muito, muito bacana mesmo, cantada com vontade, um riff legal, enfim, daquelas músicas que chegam a grudar no ouvido.

Engraçado que posteriormente o vocalista Nasi também começou a curtir HQ, mais especificamente Wolverine e outros anti-heróis, e há algumas referências sobre o gênero em outras passagens da história do Ira!, como nas capas e encartes do álbum “Meninos da Rua Paulo”.

Pois é. Quadrinhos e rock às vezes se encontram, e juntos já renderam músicas e fatos bem interessantes. Sempre que me sentir inspirado, vou comentar sobre essas jam sessions por aqui.

Abraços.

Julho 25, 2008

Lido: Maiores Clássicos do Capitão América #1 (Editora Panini)

capa mcca1

capa mcca1

Um dos grandes elogios que a Panini merece é, sem dúvida, o esforço em trazer grandes Fases passadas, de personagens da Marvel e da DC, que nunca tiveram um tratamento digno no Brasil.

Atualmente, nós podemos encontrar nas bancas e livrarias coleções fantásticas como a “Biblioteca Histórica”, com as primeiras histórias dos heróis Marvel; vários encadernados reeditando mini-séries importantes, como “Guerras Secretas” e “Lendas”; e, sobretudo, a coleção dos “Grandes Clássicos”, que começou com a Marvel mas já estão saindo também os primeiros volumes da DC.
No entanto, um dos maiores heróis de todos os tempos e um dos Ícones dos quadrinhos, o Capitão América, ainda estava sem nenhuma edição especial disponível. Agora que – na cronologia contemporânea -, o alter ego mais famoso do herói, Steve Rogers, morreu, a Panini resolveu que era hora de investir em Grandes Clássicos do Capitão, como nesta brilhante (e pouco conhecida) Fase da “Era de Bronze” do personagem (R$ 28,90/212 pgs).
Muito pedida por fãs veteranos em fóruns na internet, a curta, porém inesquecível sequência de histórias da dupla de amigos Roger Stern e John Byrne (mais o belíssimo nanquim de Joe Rubinstein) apareceu nas edições originais da revista americana Captain America #247 a #255 (de julho de 1980 a março de 1981).
Neste volume #1, portanto, estão todas as 9 clássicas histórias da dupla de autores, desta vez com todas as páginas, no tamanho original, com textos completos e uma nova e melhorada tradução (já tinham sido publicadas em formatinho da Editora Abril). A Panini ainda acrescentou, como é de praxe neste tipo de material, as capas originais, entrevistas com os autores (duas com o Roger Stern, na verdade) e uma inédita sequência sem texto, somente arte de John Byrne, da que seria a 10ª edição da série, mas que infelizmente foi cancelada por motivos não muito claros e a equipe criativa não chegou a conclui-la.
Aqui o leitor acompanha o Capitão e sua vida dupla com diversas “novidades”: Steve Rogers fazendo trabalhos free-lance como desenhista publicitário, morando em um pequeno edifício e convivendo com vários vizinhos autenticamente novaiorquinos, ganhando uma nova namorada, a descolada Bernie Rosenthal, fazendo parcerias com Dum Dum Dugan e Nick Fury, da SHIELD, e enfrentando a ameaça inédita do andróide Mecanus. Como nas demais histórias desta Fase, vemos um Capitão América inteligente, elegante, que enfrenta as ameaças com sagacidade e eficácia – enfim, o supersoldado em essência.
Outros vilões que aparecem aqui são o Homem-Dragão, Batroc, Mister Hyde e – provavelmente o ponto alto de toda a série, o vampiresco Barão Sangue, um inimigo dos tempos da II Guerra Mundial, que faz com que o herói retorne à Inglaterra pela primeira vez desde o seu “descongelamento”, onde reencontra o Union Jack original e a inativa velocista Spitfire. Nessa aventura espetacular, ainda ganhamos de bandeja um novíssimo Union Jack – o terceiro da dinastia, o jovem Joe Chapman, que permanece até hoje na cronologia da Marvel (estrelou há pouco uma mini, publicada na revista mensal Marvel Action). Saudosista e emocionante, é uma das minhas aventuras favoritas do personagem.

Os outros dois destaques do volume são:
- a história do “Capitão-Candidato”, onde os autores sugerem a hipótese do Capitão se candidatar a Presidente dos Estados Unidos, trabalham com a repercussão da notícia com a população, com JJJ, Vingadores e encerram com um emocionante ”discurso” do herói. Sem supervilões, é um daqueles pequenos clássicos da Marvel onde o foco é o roteiro criativo, reviravoltas e textos bem cuidados. Uma pequena jóia.
-  a origem definitiva do Capitão em “A Lenda Viva”, desenvolvida a partir do trabalho original de Jack Kirby, Joe Simon e também de Stan Lee, os autores acrescentam alguns belos detalhes nos primeiros dias de atuação do herói, e até mesmo mostram a precária condição econômica que o jovem Rogers vivia nos tempos pós-quebra da Bolsa americana da década de 30.

Concluindo:
- Os leitores mais novos, que praticamente só tiveram contato com a atual fase de Ed Brubaker, se arriscarem esta edição podem se encantar com uma visão bastante diferente do personagem, mais otimista e cheia de esperança, talve – mas ainda assim com a mesma “base” ideológica e repleta de ação e intriga que o herói evoca.
- Se você gosta do John Byrne, vai adorar este material, onde o desenhista brilha a cada página.
- Fãs deprimidos pela morte de Steve Rogers, esta é sua pedida para reviver grandes aventuras.
Nota máxima: 5 estrelas!

Julho 13, 2008

Lembrando meus tempos de GIBITECA.

Ultimamente tenho tido uns momentos “saudosísticos” bem intensos. Adoro me lembrar da parte boa do meu passado, mas geralmente os fatos que ressurgem são os mesmos de sempre.

Desta vez, tenho procurado lembranças diferentes, que estão alojadas em algum local pouco acessado do meu hardware pessoal.

Hoje, ao fuçar nas minhas revistas mais alternativas, ou melhor, em alguns álbuns europeus, me lembrei com carinho da Gibiteca Henfil, aqui de São Paulo.

Eu a conheci quando ainda ficava na VIla Mariana, na Rua Sena Madureira, uns 15 anos atrás.

Na época eu estudava na ESPM, ali pertinho, então ao final de um dia de tarefas e aulas, era gostoso dar uma esticada até lá e me perder por horas nas prateleiras recheadas da Gibiteca. Gastei muito tempo sentadão ali junto às mesas e sofás lendo, folheando ou relendo centenas de revistas em quadrinhos, ou observando o movimento dos outros jovens, muitos ainda adolescentes e/ou carentes, também tipos estranhos, além dos orientais que caçavam os então raríssimos mangás, além de vários aspirantes a desenhistas e figuras do “meio” que curtiam o local.

Foi ali que eu finalmente consegui ler revistas que ainda eram um mistério para mim, mas já tinha informação o suficiente do que era mais ou menos relevante.

Lucky Luke, Tin Tin, Corto Maltese, Valentina, Asterix e outras importantes criações mundiais foram reveladas para mim durante essas visitas – se não me engano semanais. Lembro que algumas edições eram permitidas levar pra casa… então era uma verdadeira festa: lia o máximo que podia lá e ainda levava outras pra ler antes de dormir!

Mangás e alguma coisa da América Latina, como a própria Mafalda, também foram descobertas ali.

E também lia as revistas em inglês que de vez em quando apareciam, como a Heavy Metal, Wizard Magazine, Ranxerox e álbuns especiais, como os do Will Eisner. Claro que eu também ficava garimpando algumas histórias mais antigas de comics de super-heróis, mas meu interesse pela Gibiteca era no “diferente” mesmo.

Foram ótimos tempos, mas tinha me esquecido completamente da existência e ignorava por completo o destino desse espaço, quando uns tempos atrás fiquei sabendo que tinha mudado de endereço:

Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso Tel. 3383-3490
Horário da Gibiteca – de 3ª a 6ª feira – das 10h às 20h
Sábados, das 10 às 17h / Domingos, das 10 às 17h
http://www.centrocultural.sp.gov.br/gibiteca/index.html

Legal saber que foi pro CCSP, um dos centro paulistanos mais bacanudos e especiais. No site diz apenas que a retirada das revistas é para residentes em São Paulo, capital… sorry aos de fora, mas fica aí uma sugestão para quem vier passear por aqui.

Dia desses – nas férias quem sabe? – vou aproveitar e dar uma passadinha por lá… será que meu cadastro ainda tá valendo?

Julho 10, 2008

Belos Sebos 1: RED STAR

Achei bacana aproveitar o canal e também divulgar os melhores sebos, livrarias e comic shops que já fui.

Uma grande parte da minha coleção foi montada a partir de visitas regulares a alguns sebos de São Paulo.

O RED STAR, por ser perto do trabalho e geralmente ter uma boa quantidade de revistas em quadrinhos americanas, é um dos meus favoritos.

Esse Sebo é um dos grandes da cidade em termos de unidades… acho que somam 4 ou 5. Mas aqui na região de Pinheiros há os dois que oferecem HQs: um na Rua Teodoro Sampaio, 2040; e outro na Avenida Pedroso de Moraes, 811, quase na frente da FNAC (tel: 3031 0307).

Destaco 3 pontos fortes do RED STAR:
1 – Organização e Limpeza – acima da média para um sebo;
2 – Acervo – há muitos formatinhos, há muita coisa da Panini e também originais americanos e até europeus, a maioria em bom estado;
3 – Preço – os formatinhos saem de R$ 0,50 a R$ 2,00; acho que os da Panini giram em torno de R$ 3,00 e os americanos variam de R$ 1,00 a R$ 3,00 cada.

Eu já comprei dezenas de exemplares americanos da Marvel Comics neste local, a maioria até em números sequenciais e em bom ou ótimo estado. Quando descobri este local, uns 3 anos atrás, era mais caro – de R$ 3,00 a R$ 6,00 cada – e havia muita coisa boa e rara; com o tempo, a coisa escasseou bastante mas por outro lado barateou mais, a ponto de não passar de R$ 2,00.

Recentemente, achei alguns encadernados (os conhecidos TP´s) em bom estado a R$ 25,00 cada, dos Vingadores (Avengers), X-Men e Novos Guerreiros (New Warriors).

O pessoal é atenciosos e a localização dessas duas unidades é excelente, apesar de não ter estacionamento.

Dos formatinhos, há uma quantidade absurda de exemplares e algumas coleções completas, tipo Wolverine da Abril por uns R$ 120,00 acho.

Logo mais cito outros bons sebos da cidade e também as melhores livraris e comic shops.
Até!

Julho 7, 2008

Lido: The Spirit #1 (Editora Panini)

The Spirit versão 2000

The Spirit versão 2000

The Spirit é, provavelmente, o trabalho mais popular de um dos mestres-supremos dos quadrinhos, Will Eisner. Sob a sua autoria, o detetive cult dos anos dourados dos quadrinhos teve dezenas e dezenas de histórias. A Editora Abril, se não me engano, foi a última a publicar regularmente esse material, em revista própria no início dos anos 90, mas não durou muito.

Atualmente, é fácil encontrar nas livrarias e comic shops muitos álbuns de Will Eisner. Mas especificamente do The Spirit, nada.

Esta revista aqui, lançada agora em formato de mini-série (6 edições) pela Panini, não traz esse material clássico do personagem, portanto ainda não preenche essa (gigantesca) lacuna.

Na verdade, é a primeira fase de novas histórias que o personagem vem ganhando pela editora DC Comics, desde o finalzinho de 2006 nos Estados Unidos.

Quem ganhou a enorme “responsa” em criar novas histórias com o quase-intocável Denny Colt foi o genial Darwyn Cooke, um artista que vem crescendo exponencialmente em popularidade e respeito pelos críticos e leitores americanos. Ele é mesmo muito bom. Quem leu “DC: A Nova Fronteira” pode comprovar isso, apesar do seu traço retro não ser exatamente do gosto da maioria dos leitores de “heróis”.

Cooke escreveu e desenhou as 12 primeiras edições deste Spirit dos anos 2000, e é esse material que a Panini traduziu e compilou em 6 edições duplas, a R$ 5,90 cada e no bom papel couche.

- O que dizer desta 1ª edição?

Apesar de não ser “acachapante”, eu gostei bastante. O destaque é a arte, incrivelmente clean, com montagem dos quadros e páginas corretíssimas para o ritmo da história, e graças ao estilo retro, porém ligeiramente moderno do traço do artista, é provavelmente a melhor escolha possível para o retorno de hqs do personagem.

Por outro lado, o argumento, o ambiente, todo aquele estilo criado por Eisner e vinculado ao personagem – essencialmente pulp – ao mesmo tempo que é gostoso de ler não permite grandes novidades ou malabarismos no roteiro. Por isso é bom mas também traz um gostinho de “esse filme eu já vi”, que é o calcanhar-de-aquiles do projeto. Será que não daria pra inovar um pouquinho nos argumentos? A primeira história em si lembra muito Dick Tracy – acho que pelo visual do vilão; a segunda também tem um clichê do gênero, que é uma “mulher-fatal” envolvida, mas já achei mais bacaninha, até porque revela um lado não muito puritano do herói. Veremos as próximas aventuras que, aliás, são essencialmente “fechadas”, isto é, você não precisa ficar tenso com o “continua no próximo número”. De diferente mesmo, só achei um pouco mais bem-humorado do que a minha memória do material original do Will Eisner capturou na época em que li… mas não estou certo disso. Há também uma bem-vinda “atualização” do tempo desse universo, isto é, claramente as aventuras são passadas em um mundo “tipo o nosso”, com Internet, celulares e tal.

Enfim, valeu a pena porque eu gosto do personagem e acho que é um trabalho executado com carinho e talento pelo Cooke; plus a arte dele é atraente para o meu paladar pessoal.

Conclusões:
- Compre se você gosta muito de histórias policiais e/ou de noir;
- Se você já conhece e gosta do Darwyn Cooke, é praticamente indispensável ler esta série;
- Não há grandes surpresas, mas é ótima leitura “pé no chão” (non super heroes);
- Bom texto e ótima arte;
- Capa icônica, papel e preço muito bons;
Nota 4 (de Zero a 5,0) porque eu gosto do artista e gosto do clima das histórias.

Junho 23, 2008

Lido: Marvel Especial #7 NAMOR (Editora Panini)

A revista Marvel Especial é publicada a cada dois meses, sempre trazendo uma “atração” diferente. Esta é a última, desta vez estrelando o relativamente conhecido do povo, o Namor.

Li esta revista da Panini em duas partes: o primeiro trecho foi uns 10 dias atrás, logo que comprei, e correspondeu ao capítulo 1 (de 6) da história completa. Os outros 5 capítulos li ontem à noite, no conforto do meu sofá, depois dos bebês irem dormir e sem televisão, computador ou qualquer outro aparelho “zumbitrônico” ligado. Nossa, estava precisando de um momento a sós: eu e uma revista Marvel. E, como a história foi bem legal, foi melhor ainda.

O Namor, também conhecido como Príncipe Submarino, é um dos personagens mais clássicos e antigos da Marvel Comics, criado em 1940 por Bill Everett e publicado na raríssima Marvel Comics #1, mas faz tempo que perdeu a sua proeminência no mundo dinâmico das HQs. Seu último título mensal pra valer terminou no começo da década de 90 nos USA. De lá pra cá, foi um coadjuvante de luxo junto a vários outros personagens, sobretudo do Quarteto Fantástico; participou de grandes Sagas e estrelou um ou outro especial e uma ou outra mini-série. A qualidade desses trabalhos varia muito.
A revista em questão é a versão brasileira da última mini do personagem (Sub-Mariner 1-6), que saiu em meados de 2007 nos USA, e tem sua trama centrada nos eventos da Saga “Guerra Civil”, uma verdadeira divisora de águas da cronologia do Universo Marvel. Os autores são: Matt Cherniss e Peter Johnson no texto e o Phil Briones na arte.

Portanto, a primeira coisa importante a dizer é que esta revista funciona melhor para aqueles leitores mais habituados com a intrincada teia da Marvel. Ela não conta a origem do anti-herói, não é uma história que começa ou termina aqui e nem é “auto-explicativa”, como era o hábito até os anos 80.

Mas vamos lá. Eu sou fã hardcore da Marvel e conheço bem o pano de fundo e todos os principais envolvidos nesta trama: Homem de Ferro e a SHIELD, Professor Xavier e Wolverine, Venon e Nitro e, claro, vários outros Atlantes.

Isso porque a história parte do pressuposto deixado em uma outra revista, chamada Guerra Civil Especial, onde uma “célula terrorista atlante” é descoberta e desabilitada por outros heróis. Aqui, vemos uma outra “célula”, aparentemente rebelde, pondo em ação um ataque terrorista de fato, eliminando dezenas de cidadãos americanos. Assim que sabe do ocorrido, Namor parte em busca de respostas, enquanto o Homem de Ferro e um exército da SHIELD cercam a capital do Reino Submarino, Atlântida.

A partir daí (e fiquem tranquilos que não dou “spoilers fortes”), traições, descobertas, combates e corrida contra o tempo compõem o roteiro simples mas eficiente, com um desenho razoável e bem adequado. Há revelações importantes, e um final chocante, diferente do que se espera, e que muda drasticamente a história do povo submarino e do próprio Namor.

Dá pra ficar curioso com as possibilidades criadas… enfim, valeu a lida, valeu a pena rever o Namor com sua intempestuosa personalidade superando adversários (com facilidade) e até mesmo usando estratégias acima do que habitual. Foi bem bacana também saber que sua autoridade não é unânime entre o seu povo e que ele tem que lutar por ela, ao menos às vezes. Isso tudo é o lado bom.

O lado ruim, além do preço que não é pra qualquer um, é que precisa estar por dentro dos últimos acontecimentos da Marvel e não dá pra esperar também uma obra-prima.

Como fã, há também o lado do “quero mais”: o personagem merece um título próprio e esta revista serve para pavimentar o caminho. Quem sabe se não veremos mais do Príncipe do que jeito que ele merece? A partir deste momento, ele teria uma oportunidade e tanto para estrelar sua própria revista mensal, com um time criativo de qualidade.

Fui dormir tarde mas feliz. Nada como uma história bacaninha pra esquecer da segundona que vem aí!

Conclusões:
- Valeu o tempo e valeu o investimento!
- Bom roteiro, com algumas surpresas, confrontos inéditos e final “muda tudo” coerente!
- Arte ok, como sempre um pouco prejudicada pelo papel barato da Panini.
- Edição muito boa, capa ótima e chamativa, formato original, mini na íntegra, capas publicadas.
- Nota 3,5 pra revista (de Zero a 05!) 

Junho 16, 2008

Lendo muita coisa ao mesmo tempo agora!

Que eu tenho alguma doença relacionada a ler muito, isso eu sei faz tempo.
Mas uma coisa que adquiri nos últimos anos, e que me irrita um pouco mas ao mesmo tempo estou viciado nisso, é ler muita revista diferente ao mesmo tempo.

E não é só com quadrinhos não. É também com revistas (periódicas, de cinema, de viagem, de história, de negócios, etc.), com livros e até jornalzinho de bairro.

Não consigo parar. É compulsivo e me faz mal. Sério. Fico nervoso com a pilha de coisas a serem lidas, a pilha de revistas começadas e não terminadas, e depois fico neurótico em onde guardar as já lidas. Recentemente, descobri algo que me deixa bem aliviado: dar revistas lidas para parentes, amigos e pra quem mais estiver a fim de!

- Mas, afinal, o que estou lendo, atualmente, de Histórias em Quadrinhos?

. NYX - um encadernado da Marvel sobre mutantes bem jovenzinhos. Parei na metade, tipo, um ano atrás, e continua na pilha. É legal, mas já faz tanto tempo que preciso reler um pouco antes de concluir…

. Official Handbook of the Marvel Universe – este aqui é uma obra gigantesca, contendo histórias de centenas de personagens da Marvel, então são várias edições, e algumas continuam chegando ainda para mim, por isso parece algo interminável. Mas é extremamente útil e divertido.

. Guerra Secreta – outra coletânea da Marvel. Não é inédita para mim, conheço bem a história, mas eu preciso reler esta nova edição porque pela primeira vez saiu completinha no Brasil. Tá lá, guardada com carinho.

. Pixel Magazine – comprei várias edições mas depois da #3 não consegui avançar mais. Revista excelente, bem diversificada, mas preciso arrumar um tempo adequado pra ler as outras 10 edições que já saíram.

. Os Sete Soldados da Vitória – é uma mini-série da DC Comics, muito interessante e bem desenhada, mas eu perdi a edição #5 e isso me desanimou pacas, a ponto de não ter lido nem a quarta parte. São 8 no total. Acho que vi a edição perdida numa banca perto de casa, mas na hora (isso também é muito comum) fiquei na dúvida se era mesmo aquele o número lost.

. Lobo Solitário – é um mangá muito bacana e clássico, li só a primeira edição (dessa versão recente da editora Panini) e tenho mais umas 10 na sequência. Mas ainda preciso comprar as outras 18 partes, então esse vai demorar mesmo!

. X-Force (1º volume/USA) – tive a sorte de conseguir completar, comprando aos poucos em sebos e comic shops, uma gigantesca e boa fase deste grupo mutante, que por sinal quase não saiu nada aqui no Brasil, e tive a “manha” de ler os arcos finais, mas não os anteriores, que devem dar umas 40 revistas. Um dia, quem sabe?

. The Thing (3º volume) – outro material original americano inédito no Brasil e muito bacana. São poucas revistas, acho que consigo matar tudo de uma vez só. No final de semana, talvez.

. Biblioteca Histórica dos X-Men Volume 1 – interessantíssimo material, que finalmente está saindo aqui no Brasil com a qualidade e reverência necessárias, a coleção “Biblioteca” da Panini já tem uma quantidade razoável de edições, e consegui terminar a do Quarteto #1 e dos Vingadores #1, mas esta dos mutantes tá indo a passo de tartaruga. Mas é o tipo de revista que precisa do momento certo.

. Sandman – Sim, são os excepcionalmente belos volumes capa dura da Editora Conrad. Li com muito esforço o primeiro, agora preciso de fôlego pra começar os outros… 9! Aff!

. Obras Completas de Carl Barks – também não comprei todos, mas só os que eu já tenho dá pra gastar muitas horas… quem gosta da Disney e, em especial dos Patos, vai se deliciar com a coleção. Ainda tá saindo, pela Editora Abril.

. Os Mortos-Vivos #2 – é ótimo e estou realmente curioso com a continuação, mas, puxa vida, tem tanta coisa legal pra ler também… o Robert Kirkman espera um pouco mais…

. Calvin – álbum bacanudo e enorme. Nem comecei, pra ser sincero…

. Grandes Clássicos Marvel – Tô quase terminando o seminal Capitão América de Roger Stern e John Byrne, e começando o primeiro do Homem de Ferro… aquele do “Demônio da Garrafa”… tudo importante e vital. Já tinha lido antes, mas naqueles infames, terríveis e incompletos “formatinhos” da Abril dos anos 80 e 90…

. Várias revistas mensais – Estão são as que leio todo mês, geralmente as que viram prioridade: Iron Fist; New Avengers; Avengers The Initiative; Marvel Comics Presents; Captain Britain and the MI13; The Order; Guardians of the Galaxy; Secret Invasion; Avante Vingadores; Marvel Action; Marvel Max; Universo Marvel; Marvel Especial (Namor); 52 e agora também a Fábulas Pixel.

Por favor, não me perguntem quais revistas e livros também estão na onda, porque fiquei meio deprimido só de falar das hqs…
Abraços.

Junho 14, 2008

Porque ler histórias em quadrinhos

Para quem já lê, a justificativa é muito imediata e simples.

Eu acho que, no geral, as pessoas lêem quadrinhos para se divertirem e ponto final. Sim, como entretenimento puro!

Mas como qualquer outro meio de comunicação popular do nosso tempo, está em constante evolução e, felizmente, ampliando seus horizontes e desbravando novas fronteiras.

Assim como o Cinema e a Literatura, há quadrinhos de vários gêneros, e para todas as idades; há hqs de autores renomados e globalmente conhecidos, há obras mais transgressoras, outras bem pop, há histórias curtas, outras novelões gigantescos, e há histórias sem-fim;

Mas, ao contrário do Cinema, nos quadrinhos é muito mais fácil criar universos e realidades originais, coreografar batalhas espetaculares, acertar os atores a seus papéis adequados, e também o diretor, o fotógrafo e o cenógrafo, ou até mudar o roteiro no meio da história; e ainda por cima tudo isso sem custos realmente significativos.

E, ao contrário da Literatura, a gente curte texto e imagem simultaneamente. Um apóia e amplia a percepção do outro. Você pode passar um belo tempo curtindo os detalhes de uma página dupla ou analisando o estilo de cada desenhista… independentemente do texto. Ou pode se divertir com uma onomatopéia engraçada, um título-referência ou um diálogo original, mesmo não achando o desenho tão bom assim…

PLUS: dá pra se educar lendo quadrinhos; e não só no seu idioma (ou em mais de um, como é o caso de muita gente que conheço!), mas também em história e geografia, em física e biologia, em psicologia, política e sociologia, e até mesmo em Cinema, Literatura, Pintura, Poesia, Música e tudo que você imaginar de cultura pop (moda, televisão, desenhos animados, comportamento, etc).

Há diversas razões, enfim, para se apaixonar por quadrinhos.

Eu descobri isso há muito tempo, e jamais abandonei os “gibis”.

Quem quiser compartilhar um pouco dessa maravilhosa experiência, ou ainda, quem sabe, aprender um pouco sobre esse universo fantástico e inesgotável, será sempre bem-vindo ao LENDOQUADRINHOS!

“Excelsior!”*

Abraço e aguardo comentários e sugestões.

* Com o perdão da citação, essa é a clássica assinatura do grande criador e lenda viva dos quadrinhos americanos, Stan Lee! Um viva ao mestre!